quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Indicado ao Oscar, 'O segredo dos seus olhos' revela lado sombrio de Campanella
Após comédias de sucesso, diretor surpreende com trama policial.
Longa representa a Argentina na categoria melhor filme estrangeiro.
Longa representa a Argentina na categoria melhor filme estrangeiro.

DICA: La Caja de Pandora recomenda o filme: O segredo de Seus olhos
"O segredo dos seus olhos" é protagonizado por Ricardo Darín, o ator-fetiche de Campanella, que aqui está num registro diferente daquele que o transformou numa presença constante em comédias argentinas.
Como pede seu personagem, o oficial de justiça Espósito, ele tem uma interpretação mais contida e, por isso, repleta de nuances. A maquiagem contribui nas idas e vindas no tempo da narrativa, mas é o trabalho do elenco - que também inclui Soledad Villamil ("Não é você, sou eu") e Guillermo Francella ("Rude e brega") - que dá a credibilidade à combinação de estilos e à transição entre passado e presente.
Passado argentino
Roteirizado por Campanella e pelo escritor Eduardo Sacheri (autor do romance no qual foi inspirado), o filme toca em feridas da história argentina sem nunca fazer destas o seu tema principal, ou sua razão de ser.
Um dos tempos da narrativa é em meados dos anos 70, quando uma moça é encontrada brutalmente assassinada. Apesar de motivações políticas serem mencionadas - "seria ela uma subversiva?" - elas não são aprofundadas, pois o foco do diretor é outro.
O poder do amor, da obsessão e a sede de vingança são o que move os personagens. Espósito trabalha num tribunal de justiça criminal, chefiado por uma mulher, Irene (Soledad), por quem ele se apaixona platonicamente. O romance deles sobrevive três décadas depois quando, já aposentado, ele ainda visita a amiga - eterno amor - que trabalha no mesmo tribunal, onde passam horas conversando.
No presente, ele escreve um livro de ficção inspirado naquele crime, possivelmente até hoje sem solução - ou pelo menos, com uma resolução frustrada. O passado jamais descansa. Por meio de flashbacks, que entrecortam toda a narrativa, descobre-se que Espósito foi o detetive que solucionou o caso.
O assassino é descoberto, mas logo ganha liberdade, pois se oferece para ser informante da polícia e fazer o trabalho sujo que a ditadura militar necessita.
"Subversivos são mais perigosos do que estupradores e assassinos", comenta uma pessoa ligada à Justiça. Isso incomoda tanto Espósito quanto o marido da vítima (Pablo Rago, de "Apaixonados"), que todos os dias passava por uma estação de ônibus, na esperança de que o assassino, que ele sabia quem era, passasse por ali.
A montagem, também assinada pelo diretor, dialoga com o passado, com a urgência da resolução do crime, e o presente, carregado da melancolia das oportunidades perdidas. Os personagens olham para trás e analisam as suas vidas e constatam que se transformaram naquilo que nunca planejaram ser.
Esse é sem dúvida o filme mais sombrio e mais interessante do diretor que, ao combinar um clima noir com um drama dos romances frustrados, é capaz de prender a atenção por mais de duas horas. Em se tratando da direção, aliás, existem algumas sequências memoráveis. Especialmente uma tensa e longa perseguição num estádio de futebol abarrotado de torcedores numa noite de jogo.
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